Alterações hormonais e as emoções na gravidez e pós-parto

Muitas grávidas e recém-mães chegam ao consultório contando que estão sentindo-se muito culpadas por terem vivido, estarem tendo sensações muito contraditórias e ou desagradáveis durante a gestação ou após o nascimento do bebê, mesmo tendo desejado tanto serem mães, tendo planejado ter filhos e tentando dar o melhor de si.

Frequentemente questionam, como podem ter sonhado tanto com a maternidade e, estarem se sentindo tão desanimadas, com medo, tendo pensamentos incômodos e disfuncionais, impactando negativamente, muitas vezes no cuidado e relação com o bebê, na relação consigo, com suas expectativas e relacionamentos. Relatam se sentirem ingratas por reclamarem do cansaço, do trabalho, do corpo, mesmo tendo um filho saudável em casa.

Compreendo como é difícil e doloroso se sentirem dessa forma e quero lembrar aqui, antes de pensarmos sobre esse tema, que nossos pensamentos são automáticos e as emoções vindas com eles não são escolhidas por nós! Então, a primeira dica que dou é: não julgue o que você pensa e sente, por mais difícil que seja, você não tem controle sobre seus pensamentos e emoções! O que depende de você, é identificar e verificar como agir após ter pensamentos e emoções desagradáveis e talvez prejudiciais a sua rotina e saúde.

Mas…. É possível desejar ser mãe, amar seu filho e ter pensamentos negativos e muitas vezes vontade de desistir ou de mudar a realidade do que se está vivendo? Sim, é possível! E pode não ter nenhuma relação com o bebê em si, mas sim com o significado do que vivemos e com as transformações tão intensas que ocorrem num período tão delicado e peculiar na vida da mulher e família, seja ela formada pelas mais diferentes configurações.

Pensando nas mulheres guerreiras que chegam angustiadas, culpadas e com uma cobrança imensa, muitas vezes sem real apoio externo de alguém que elas confiem ou pouco acolhimento e compreensão (o que percebo fazer muita diferença!), hoje, quero falar mais especificamente do desejo de ter um filho e gestação.

Desde que se descobre a gravidez ao nascimento do bebê, é vivido um processo intenso em diferentes aspectos, por mais diferenças que possam ocorrer, esse momento sempre será único para cada um que o vive, não tendo regras de como cada um irá lidar com um processo totalmente único (aqui incluo as pessoas que convivem com a futura mãe também). Então, Dica 2: Não se compare com outras grávidas, processos de mudanças físicas, emocionais e sociais não são comparáveis. Como você pode controlar as reações do seu corpo na formação de um novo ser? Ou a ação dos hormônios? Use as informações a seu favor e dê preferência a dados científicos e vindos do médico que te acompanha.

Como profissional da psicologia, meu objetivo é proporcionar às gestantes ou recém-mães a ampliação do pensamento, para flexibilizá-los e contribuir para aceitação do momento novo e de seus sentimentos. É um momento de adaptação! Sabemos que os sentimentos incomodam e são transitórios, mas quando vivemos parece nunca passar e é muito difícil pensar racionalmente com tantas transformações ao mesmo tempo (é assim mesmo). Mas quando se sentir incomodada, use a dica 3: respire profundamente 5 vezes, aceite o que sente, converse com alguém que confie e se necessário busque ajuda médica e ou psicológica. Pense que é a fase da adaptação e que irá passar, mas se mesmo assim for muito difícil, recorra a ajuda nesse momento de quem você se sentir mais confortável.

A gestação e a preparação para ser mãe, não é um momento novo, mas sim MUITOS momentos novos. Pois é, como todos sabemos a gestação dura 9 meses, ou como os médicos contam como referência, 40 semanas, mas não é um processo estável, mas uma fase de mudanças, movimento e de exercício do não controle todos os dias. Se a gravidez durar quarenta semanas, estamos falando de em média 280 dias, ou seja, quase 1 ano de expectativas, sensações físicas, transformações, alterações hormonais, emoções diversas, questionamentos, palpites, novidades a quase todo instante, sem considerarmos as expectativas, desejos e sonhos anteriores a gestação iniciar de fato. E não podemos deixar de considerar o imprevisível! Cada dia é um, por isso comentei do exercício do não controle das situações. Bom preparo para ser mãe, não é?

Quanto mais a gravidez avança, mais surgem sensações emocionais, dores e cansaço e não se tem tempo de digerir isso tudo e logo mais vem o parto, nascimento da criança, privação de sono e mudanças praticas na casa e na vida sem dar tempo de se recuperar e lidar com o que estava acontecendo antes mesmo disso. O papel de cada um na casa se altera e a responsabilidade também. Então, você precisara se reinventar, mas a demanda só aumenta! Um dia você respondia pelas suas vontades e desejos, fazia escolhas baseado nas consequências para você, e no outro dia, você pensa por você e mais alguém, que depende dos seus cuidados, presença e bom senso.

Seria justo não compreender que se leva tempo para essa transição e que pode ser natural ter uma montanha russa de emoções diante de tantas transformações reais? Dica 4: Pense do que de fato seu bebê precisa, se ele está sendo suprido em suas necessidades básicas e se você não está sendo muito autocrítica ou exigente demais consigo mesma. Pergunte-se se sua expectativa ou cobrança é realmente viável e aplicável a nesse momento. Pense: o que você diria a alguém que estivesse se sentindo e pensando dessa forma num momento similar?

Diante de tantas mudanças, é comum e esperado no puerpério que a mãe apresente comportamentos e emoções como: chorar, se irritar, não querer estar ali, angústia, medo, tristeza, culpa e muitas vezes até euforia. Contudo, se os sintomas incomodarem, trouxerem sofrimento e ou prejuízos e principalmente, persistirem, busque ajuda profissional e converse com alguém em quem você confia. Nesse momento, é importante respirarmos e irmos atrás de uma ajuda especializada, além de pessoas que nos acolham. Se permita sentir, mesmo se forem sintomas pertencentes a fase do famoso Baby Blues, mas caso os sintomas não sejam transitórios, você pode estar com depressão pós-parto, que deve ser tratada corretamente. Conte ao seu obstetra, peça ajuda e busque psicoterapia e um psiquiatra.

O Baby Blues é passageiro, causado pelas alterações hormonais que a mulher sofre no pós-parto e não precisa tratamento medicamentoso, e sim de suporte, acolhimento e descanso. Já a depressão pós-parto precisa de acompanhamento médico e psicológico e parecem geralmente tristeza persistente, muitas vezes com vontade de se matar, alterações de alimentação, agressividade, choro constante mesmo após os hormônios terem se estabilizado, entre outros.  O primeiro passo, tanto para a mãe quanto para as pessoas que a cercam, é entender que esta reação está longe de ser uma frescura ou fraqueza. Não controlamos o que sentimos, mas podemos optar por buscar auxilio adequado. Dica 5: se aceite, não se exija tanto diante de situações que você não controla. Se você pudesse, você escolheria estar assim? Tenha paciência consigo e peça ajuda quando necessário. É interessante saber que a depressão é um problema que costuma surgir em muitas mães e gestantes que já tem antecedentes em relação a questões psicológicas, por isso a importância de tratar e se cuidar o quanto antes.

Cuide de você nessa fase delicada e que você precisa estar bem consigo. Aceite e aprenda com esse caminho que nos mostra que não controlamos quase nada, mas buscar ajuda depende de você!

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1 thoughts on “Alterações hormonais e as emoções na gravidez e pós-parto

  1. fabiana says:

    oi boa tarde, adorei a matéria no começo que o bêbê nasce é muito dificil mesmo, mas depois entra tudo noa seus devidos lugar.quero compartilhar nossa loja virtual http://www.nutritivasaude.com.br, ótimos preços excelentes,tudo em suplemntação para homens e mulheres, corre ver , vai gostar.

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