Meninas, a Mari é minha cunhada, psicóloga e mãe das princesas Isabela (5 anos) e Antônia (3 anos). De vez em quando ela dividirá conosco alguns pensamentos e dicas sobre o mundo da maternidade X psicologia. Hoje, ela escreveu pra gente um pouco sobre o momento puérpero. O texto dela ficou muito bacana 🙂 Obrigada Mari, e seja muito bem vinda!!!
Eu me arriscaria em dizer que o nascimento de um filho é o momento mais intenso da vida de uma mulher.
Lembro ainda com muita nitidez da sensação do nascimento das minhas filhas, nunca senti, nem antes nem depois, nada parecido. Foi uma avalanche! Parecia que ali o meu psiquismo me mostrava que a vida tinha começado de verdade!
E assim acontece com todas as mulheres, em maior ou menor intensidade, com mais medo ou mais dor, com os olhos marejados ou choro descontrolado, todo mundo entende que naquele momento o jogo começou.
Dizem que para a mulher esse processo se inicia na gravidez, concordo. O processo começa até mesmo no planejamento da gestação, mas tudo realmente se torna claro e real com o nascimento!
A menina, já nos primeiros anos de vida, ensaia nas brincadeiras a maternidade. Começamos esta construção logo na primeira infância. Na gestação, a fantasia ainda é predominante. O bebê que está na barriga em geral é idealizado, as futuras mães constroem dentro de si um bebê que nem sempre corresponde ao real. E, após o nascimento, é necessário que haja uma desconstrução deste filho imaginário para o bebê real que se apresenta. Não é incomum que esse processo seja doloroso. Junto com isso, vem o cansaço, a oscilação hormonal, a mudança na rotina e a nova configuração familiar que se estabelece.
Ainda na maternidade, para a maioria das mães, tudo é festa! Todo mundo ajuda, a família colabora, a mãe está relativamente tranquila… E a chegada em casa? Esse momento é, ao mesmo tempo de imensa felicidade, mas também de muita ansiedade.
Nesse período, a mãe se encontra regredida e fusionada a esse bebê. É uma fase difícil, mas necessária para que haja uma empatia com o recém-nascido e assim poder cuidar dele. É uma regressão normal e indispensável para que o bebê encontre ali os meios para se desenvolver psiquicamente, já que, nesse primeiro instante, há um estado de desamparo e dependência total da mãe.
Por outro lado, a mãe também experimenta momentos de profundo desamparo! Muitos medos vêm à tona e ela se vê, muitas vezes, sozinha nesta jornada. As ajudas se concentram nos cuidados com o bebê, que, no meu ponto de vista, é o que menos precisa de ajudas externas. O bebê precisa de uma mãe amparada e compreendida nas suas necessidades, que são as mais variadas possíveis, que possa cuidar dele.
Isso não quer dizer que só a mãe deve trocar fraldas, dar banho ou ninar. É algo muitas vezes subjetivo, que tange muito mais à sensibilidade dos que estão em volta para perceber as reais necessidades da puérpera. Uma mãe tranquila tem muito mais condição de acalmar e cuidar efetivamente do seu bebê.




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