Meu filho foi promovido a irmão mais velho: E agora?

4 fevereiro, 2016
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Penso que de alguma forma esse pensamento deve pipocar na mente das crianças quando recebem a notícia de que serão promovidas a ‘irmão mais velho’. “Sou o único filho da mamãe e de repente… Ela me conta que vem mais alguém para ser filho dela também! E agora?”

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Ter irmãos é algo que faz parte da vida e da infância de muitas crianças, mas quando a criança é filho único e recebe a notícia que não será mais e terá um novo ser para dividir o espaço, os pais, os objetos e brinquedos e a atenção, naturalmente pode surgir ansiedade. Por não saber como o irmão será, como será a nova rotina, como será a relação com os pais, como ficará a sua casa, qual lugar ocupará na família, enfim, são dúvidas e medos que podem surgir exatamente por não saber como será o dia a dia após a chegada do segundo filho. Cada criança demostra e lida de uma forma diferente com a situação baseado na sua personalidade, vivências anteriores, funcionamento familiar e idade. Durante a gravidez e nascimento, as crianças demonstram diferentes comportamentos, os mais comuns são: aproximam-se mais da mãe, querem beijar a barriga e mexer nela a todo momento, ficam mais dependentes, demandam maior atenção, apresentam comportamentos de idades menores e menos autonomia (regridem), fazem diversas perguntas diariamente, ficam mais chorosas, inseguras, quietas, agitadas, irritadiças e ou agressivas. Algumas crianças chegam a desenvolver sintomas físicos, problemas de sono e alimentação, que geralmente são transitórios. Esses comportamentos da criança e as mudanças desse período trazem desafios para o adulto, que também está passando por mudanças e nem sempre sabe como agir diante dessas circunstâncias. As crianças pequenas têm mais dificuldades de reconhecer seus sentimentos e nomeá-los e, muitas vezes, os pais não conseguem compreender o que elas estão sentindo e o porquê do comportamento especificamente. É importante desde cedo estimular o conhecimento das emoções, e nomeá-las, mesmo que a criança ainda não consiga diferenciar cada uma e expressar o que sente. Nos momentos em que ela demonstrar sofrimento, medo, tristeza, irritação ou qualquer alteração no seu comportamento e humor que pareça ser devido a chegada do irmão, deve ser encarado como a forma de ela se comunicar e, é essencial que ela seja incentivada a expressar-se e extravasar por meio de atividades artísticas, brincadeiras, historias, dramatizações (fantoches, por exemplo) e conversas com pais e parentes. Não se preocupe em forçar essa expressão, deve ser algo natural do processo e não deve ser tolhida, mesmo que os pais sintam dificuldade nesse caminho. Cada criança terá o seu jeito e tempo de digerir tantas informações novas, necessitando de acolhimento e segurança.

Mas, o tempo passa e o irmãozinho nasceu, e agora? Talvez as dúvidas e emoções da criança persistam por um tempo após o nascimento, podem aparecer ciúmes, mas fiquem atentas, pode ser a forma que ela está comunicando seus receios e se adaptando à nova realidade. Na maioria das vezes ela não entende o que é ciúmes e tem medo de perder seu espaço e amor dos pais. Faz parte da vida real o compartilhar, o esperar, o se frustrar, assim, a criança também estará melhor preparada para o seu futuro.

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Divido algumas dicas práticas para antes e depois que o irmão chegar:

– Lembre-se que emoções como medo, tristeza, raiva, ciúmes são naturais do processo. Não diga a criança que ela está sendo má ou outro julgamento de seus sentimentos. Ajude-a a nomear, compreender e que a criança lide com o novo momento e suas preocupações (brincando, se distraindo, tendo um tempo só com ela, dando responsabilidades reais para a idade, contando algo real sobre como é bom ser irmão mais velho, como foi quando ela nasceu cuidados que teve, conte algo que você sentiu ou viveu quando tinha a idade dela ou quando viveu algo semelhante, etc);

– Planeje para que apesar da necessidade física e emocional que o bebê demanda, consiga dar atenção para a criança mais velha também;

– É importante conversar e dizer que é importante que ela participe com você desse momento e como foi quando ela nasceu, você pode mostrar fotos dela quando ela nasceu e era bebê;

Não menospreze o que ela sente e não exponha seus sentimentos;

– Não dê presentes para compensar a frustração ou novos sentimentos pois, a criança precisará de tempo, espaço e atenção para lidar com a nova rotina;

Elogie os progressos dela para que não fique tentando se comportar como o bebê;

– Elogie atitudes positivas;

– Cuidado para que o pai não fique responsável por dar atenção e cuidar da criança mais velha como compensação pois, poderá só aumentar a sensação de que a mãe não tem mais tempo para ela;

– Permita que a criança tenha participação efetiva na gestação, na preparação para a chegada do bebê e quando o irmãozinho nascer. Mesmo que seja da forma que ela consegue na idade dela;

– Proporcione brincadeiras em que a criança possa extravasar e colocar para fora o que sente (artes, brincadeiras e atividades com o corpo, contar e construir historias, brincar de casinha, usar seus brinquedos contando histórias, etc);

Converse, converse e converse sempre tentando verbalizar o que a criança sente e dizer que está tudo bem, quantas coisas legais vão poder viver juntos, etc;

– Faça combinados e antecipe situações;

Estimule uma relação positiva e de cuidados entre os irmãos;

– Cuide para não castigar ou brigar a todo momento com a criança mais velha, avalie se o que te incomodou ou o comportamento está ligado à dificuldade de lidar com a nova situação ou se realmente houve algo que precisa de uma consequência maior, como por exemplo agressão;

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Respeite seu tempo como mãe/pai. Não se sinta culpada pelo novo momento e pelas mudanças. A criança aprenderá a lidar com seus sentimentos se acolhida e com o tempo, tudo ficara melhor encaixado na rotina. Cuide dos seus pensamentos e sentimentos, para que possa fazer o melhor de si naquele momento.

Fonte Imagens: Google Images

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