Démodé

24 agosto, 2017
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Vou num aniversário com as crianças. Visto um macacão jeans, meio colorido, um pouco curto, sandália e camiseta.

Quando chego, uma amiga querida diz que estou parecendo uma adolescente. Tremo: “Exagerei?”- Respondo, sem-graça. “Não! Tá bonita!” Ela diz, explicando que era um elogio. Eu jurava que era uma crítica, porque, de fato, fiquei na dúvida quando me olhei no espelho: “Já passei da idade de usar curtos?” Pensei, antes de sair.

Quando eu era adolescente, achava que, perto dos 40, eu usaria os cabelos curtos, tipo chanel, esmalte branco e sapatilha. Eu achava que perto dos quarenta seria velha, e, ruim de matemática como sempre fui, pensava que teria filhos grandes, aos 40.

Não tinha noção de como o meu conceito de moda – que também nunca foi dos melhores – ainda iria mudar.

Hoje penso que tudo bem usar o short rasgado; fora de moda mesmo é ser grosseira, mal educada ou rude, fora de moda é tratar mal a babá, a empregada a folguista – aliás, desculpe, mas tô começando a achar démodé essa coisa de ter babá, empregada e folguista.

Também acho muito fora de moda, a essa altura do campeonato, ter que pedir pra chefe pra chegar mais tarde ou sair mais cedo. É quase fora de moda ter chefe, e mais fora de moda ainda, posar de chefe.

Saiu da moda falar difícil, ostentar riqueza, fumar e usar topete.

Pra mim, fora de moda é fingir que quer, fingir que pode, fingir que gosta e fingir que entendeu, sendo que, esse último, ainda faço bastante – sou meio antiquada às vezes.

Não sei se shorts curto pode, mas a moda agora é ser você, mandar mensagem de texto e, claro, comer orgânicos.

Fora isso, rir com as amigas, ser gentil e autêntica, me parecem tão clássicos quanto um pretinho básico. Sigamos, vestindo a alegria de um bom e velho All-Star.

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