Dicas de como dar limites para os nossos filhos

7 janeiro, 2016
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Limites e regras são assuntos recorrentes no consultório, como ensiná-los, a partir de qual idade e como serem efetivos são, na maioria das vezes, um desafio no cotidiano dos pais. Por exemplo, quando um pai diz ao seu filho pequeno: “não pode mexer na tomada, você pode levar um choque”, e mesmo assim, seu filho mexe. “Leo, agora vamos jantar, guarde o doce para depois”, o menino de 6 anos, fica insistindo dizendo que irá jantar mesmo se comer o doce antes. Quem já não passou por situações semelhantes? Esses comportamentos fazem parte da aprendizagem das crianças e se forem desafiantes para você, tudo bem, ser pai e mãe é também um processo de desenvolvimento e uma das tarefas mais complexas da vida.

Ensinar nossos filhos que devemos seguir as regras e impor limites é uma questão de saúde e desenvolvimento psicológico, emocional e social. Os limites proporcionam identidade, segurança e aprimoramento de importantes habilidades para a vida. Aprender sobre o que pode ou não pode, ser empático, tolerar frustrações, atrasar gratificações, escolher conscientemente e aceitar consequências, adiar o prazer, respeitar o direito do outro e cumprir deveres, são alguns dos motivos de ser tão essencial ensinarmos e impormos limites às crianças desde cedo. Cada faixa etária requer sua adequação de linguagem, suas necessidades e uso de estratégias diferentes.

As crianças menores (até 3 anos de idade), mais egocentradas e que estão descobrindo o mundo, precisam do limite de forma mais objetiva, e como ainda têm um entendimento muito concreto, é necessário que além de dizer o que não pode, mudemos o foco para sua segurança (exemplo da tomada). Após os 3 anos, já se faz necessário dar explicações breves, pois vivem na fase dos porquês e já devem ser estimuladas a identificar suas emoções, ter responsabilidades pequenas e a resolver problemas. Com crianças maiores (a partir dos 5 anos) já é possível fazer combinados, falar firme e diretamente o que se espera sem delongas, estimular a empatia e maior colaboração nas atividades.

Mas, para que servem os limites e regras? Eles ensinam referências e parâmetros, influenciando na construção de valores, respeito às diferenças, além de possibilitar a convivência saudável em grupo e sociedade. Esse aprendizado contribui para o desenvolvimento da autonomia, para que se faça escolhas conscientes, assuma responsabilidades, respeite combinados e compromissos estabelecidos com os outros e consigo.

Qual a importância dos pais nesse processo? Dizer não a um filho pode ser difícil, mas ser permissivo e dizer sim todo tempo pode tornar a criança um adulto dependente emocionalmente, com dificuldades de lidar com frustrações e gerar então prejuízos emocionais severos. Aprender os limites da convivência com o outro, é aprender também a respeitar os nossos limites. Para ajudar nossos filhos na construção de valores e identidade, é necessário ser franco e aberto, falar das consequências de suas escolhas, o que diversas vezes não é fácil e causa um clima pesado e desagradável. No entanto, a qualidade da interação entre pais e filhos é fundamental para uma vida emocional saudável, o que também contempla momentos difíceis recheados de desafios.

 Dicas práticas:

  • Coloque limites claros, breves e diretos;
  • Olhe para a criança quando colocar um limite;
  • Dê avisos claros de que o comportamento está inadequado e oriente brevemente para o que é esperado;
  • Reforce comportamentos e atitudes positivas;
  • Faça combinados, antecipe o esperado ou o que irá acontecer antes de eventos;
  • Evite punições em público (as punições são usadas geralmente para comportamentos agressivos e ou destrutivos);
  • Evite usar de poder ou autoridade como justificativa do limite (explique brevemente o porquê);
  • Abra espaço para o diálogo quando possível;
  • Use mais afirmações positivas do que negativas e cuidado com as generalizações;
  • Fale da atitude que a criança teve ou da estratégia que usou inadequadamente e não rotule a criança;
  • Ajude a criança a pensar em como resolver seus problemas;
  • Não chantageie, fale das consequências;
  • Não faça ameaças que não levara a diante, fale 1 vez de forma firme e mantenha a consequência;
  • Fale firme, sem gritar. Gritar impossibilita o diálogo e não é pelo volume de voz que seu filho irá ouvir melhor;
  • Incentive a empatia, identificação das emoções e como lidar com elas (por exemplo, o que fazer quando sentir da raiva ou tristeza diante de uma frustação).

Sei que muitos pais têm dificuldades de impor limites, dizê-los de forma firme e respeitar as suas próprias limitações. Mas colocando as dicas acima em prática e adequando-as à sua família, poderá ter bons resultados. E, se continuar desafiante para você colocar limites e falar firme no dia a dia, sugiro: observar seus sentimentos e pensamentos em relação as situações práticas e focar em o que quero para meu filho? Qual meu objetivo com essa decisão e ou limite?

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Limites_Regras_Filhos-Mae_tipo_eu-3

Limites_Regras_Filhos-Mae_tipo_eu-4

Por Dani Didio: Psicóloga e psicopedagoga www.danielladidio.com.br

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1 Comentário:Dicas de como dar limites para os nossos filhos

  1. Lucia

    Olá!

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