Entrevista: Mãe tipo eu, Suemy Takahashi

9 março, 2016
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A entrevistada de hoje é a Suemy, fomos trainees juntas na C&A, depois nos encontramos em outra empresa e estou sempre acompanhando sua trajetória com o lindinho Vitor. A Su divide conosco algumas palavras sobre ser mãe de uma criança mais do que especial, enquadrada no espectro autista. Ela também tem um blog para ajudar mamães que passam pela mesma experiência: entrenosgrupogradual.wordpress.com

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Idade e Profissão: 32 anos, Empresária.

Mãe do: Vitor, 5 anos.

Quem foi a primeira pessoa para quem você contou que estava grávida? Fez alguma surpresa? Minha irmã que é obstetra. Entreguei a ela os exames.

Que cuidados que você teve durante a gravidez e recomenda? Como tive muitos sobrinhos alérgicos a proteina do leite, eu fiz uma dieta restrita a este alimento, Também não ingeri produtos não orgânicos ou que não fossem naturais. Como tenho em minha família uma grande ocorrência de diabetes, também cortei o acúcar. Acredito que cuidar da alimentação foi ótimo! Meu parto foi tranquilo e o Vitor nasceu super bem.

Onde você fez o enxoval? O que foi indispensável e o que se arrependeu de ter comprado? Ao invés de ir a Miami como todo mundo eu resolvi ir a NY. Um pouco mais longe mas apreveitei para visitar uma prima que morava lá na epoca. Além disso, a temperatura de NY é mais agradável para as gravidinhas (claro que não no inverno) e rendeu deliciosos passeios. Me arrependo de ter comprado um caminhão de mamadeiras! Hoje aqui já tem de tudo, mas quando eu fui, a mamadeira anti-refluxo da Avent era uma super novidade, trouze toda a reposição de bicos e tudo. Comprei 20 e ele nunca mamou na mamadeira! Agora, de resto: babá eletrônica com câmera, termômetro, roupas, mantinhas, bomba de leite, pomadas, brinquedinhos, tudo vale a pena.

Qual o modelo de carrinho que você comprou? Ficou Satisfeita? Eu comprei na época o Quinny Buzz. Era um dos primeiros com as três rodas e tal. Mas no final, é muito grandalhão e desajeitado. Acabamos comprando outro por aqui para manobras mas fáceis.

Carrinho Quinny

Carrinho Quinny

Como foi o período pós-parto e quais os cuidados que você teve durante a amamentação? Segui os mesmos cuidados de durante a gravidez, mas nunca passei fome! Aliás, detesto passar fome! Kkkkkk

Como foi a montagem do quarto? Você teve alguma ajuda? Como é a decoração? Eu trabalhava bastante na época e quase não tinha tempo para ver estas coisas. Acabei comprando tudo em uma loja só que faz decorações de bebê no Itaim. Eles fizeram tudo: Dos móveis aos lençóis, kit berço e saídas da maternidade.

O que você achou mais fácil e mais difícil do que imaginava? Acordar à noite, achei mais fácil e menos doloroso do que eu imaginava. Sempre me falavam muito sobre a falta do sono na maternindade. Mesmo o Vitor nunca dormindo bem até o 3 anos, nunca foi horrível. Acho que a gente eventualmente acostuma.

Como você é no papel de mãe? Age como imaginava? Muita coisa mudou? Sou totalmente diferente do que eu imaginava. Me imaginava uma mãe que trabalhasse em empresa, aquela vida regrada e tal. Eu sou mãe de um garoto que está no espectro autista, larguei a carreira convencional. Hoje, trabalho com o mundo autista, faço parte de uma ONG, produzo materiais para crianças especiais. Sou uma mãe mais paciente, mais forte do que eu achei que seria.

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Como é o seu marido como pai? Ele é um bom pai, muito presente na vida do Vitor. Eles se dão muito bem.

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Quanto tempo você ficou de licença maternidade? Fiquei parada exatamente 2 anos.

Sentiu que deveria ter aproveitado mais algum momento? De forma alguma, hoje aproveito as coisas com uma companhia a mais!

Você costuma buscar dicas e informações na internet? Do que sente falta? Busco muito. Infelizmente, mesmo na rede particular certos transtornos como o autismo ainda são pouco conhecidos. Então, profissionais que realmente saibam lidar como terapeutas ocupacionais, psicomotores, enfim, são raros. Como mãe, aprendo muito com os sites americanos, e sou muito autodidata.

Descreva um dia de vocês (a rotina): Levo ele na escola (7:40), sigo para a clínica onde trabalho pela manhã (a clínica pertence a equipe a qual sou parceira na produção de materiais para crianças especiais) onde fico até 12:00. Saio e vou buscá-lo. À tarde, geralmente vamos ao clube onde ele tem atividades e brinca com os amiguinhos. Ao final do dia voltamos, jantamos e esta é a hora do papai, eles brincam um pouco. Toma banho, lê historinhas (no momento Astrossauros) e dorme.

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Quais os programas que vocês mais gostam de fazer? Vamos com frequência ao clube, recebemos o primo ou vamos até ele. Nossa vida é as criancas. Então, a gente sempre inventa alguma coisa.

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Como você gosta de vestir seu filho? Quais suas lojas preferidas? Confortável, com roupas gostosas. Ele não é do tipo que dá bola para a roupa que tá usando. Eu gosto de comprar Old Navy e Gap principalmente pelo preço, qualidade (não desbotam, não entortam, não mancham e não soltam tinta) e pela facilidade (não precisa passar e tudo vai na máquina de secar).

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Comemorações. Já fizeram? Algum Tema? Todos os anos comemoramos o aniversário dele. Os temas foram nesta ordem: Backyardigans, Carros, Minions, Avengers, Jurassic World.

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Que valores você considera essenciais e quer passar ao seu filho? Honestidade, humildade para aprender, respeito, educação.

Seu filho já está na escolinha? Como foi a escolha da escola? Já está na segunda escola. Saímos da primeira pois passamos coisas horríveis e preconceituosas. Chegamos a ir com advogados. A segunda, já escolhemos baseado nos erros da anterior, além disso, a escola é filiada a UNESCO e tem um programa especial de inclusão muito responsável.

Você vive o dilema da maioria das mulheres modernas: É mãe, esposa, dona de casa e profissional. Como consegue conciliar tudo isso? Elegendo prioridades, manejo de expectativas e um terapeuta de vez enquando! Eu sou mais mãe do que dona de casa e profissional, sou mais profissional do que dona de casa e sim, no final sou dona de casa… Meu feijão é péssimo e eu convivo com isso, comprei uma panela de pressão elétrica que faz tudo sozinha. Eu acho que é isso, nós temos que estabelecer nossas prioridades, aceitar que não seremos perfeitas em tudo e conviver um pouco com aquilo que ficará lá no fim da lista. Daí quando a gente se sente péssima por não ter um tempinho pra nada, vai num terapeuta, desabafa e pronto! Sai de lá mais leve e volta tudo de novo!

Pretende ter mais filhos? Não teria princialmente pela dedicaçaão que desprendo ao Vitor. O segundo ficaria mais largado. Além disso, temos uma condição genética (até onde se sabe) e os custos de um filho já são grandes, de um filho autista são pelo menos, 4 vezes mais.

Revele alguma coisa que ninguém conta sobre a maternidade e dê um conselho às futuras mamães? Maternidade não foi feita para pessoas egoístas. Acho que cada um se conhece, sabe seus limites e então deve pensar. Digo isso pois, é muito, mas muito comum o sofrimento da família quando os pais se sentem anulados pelos filhos e esses por consequência se sentem esquecidos em uma casa cheia. Não faça isso com você, não faça isso com uma crianca. As pessoas podem ser perfeitamente felizes sem filhos.

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1 Comentário:Entrevista: Mãe tipo eu, Suemy Takahashi

  1. Domitila

    Mamãe de dois filhos de 6 e 4 anos.

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