Entrevista: Mãe tipo eu, Michele Kaiser – Mãe de 4 filhos!!!

15 janeiro, 2016
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Gente, vocês imaginam receber a notícia de que está grávida de trigêmeos??? E se você já tiver uma filha de 1 ano e pouco?? Sim, esta é a história da nossa entrevistada de hoje: A Michele, é mãe dos trigêmeos Murilo, Marcelo e Matheus, e já era mamãe da fofíssima Mônica. Fiquei muito feliz de receber a entrevista desta super mãe, que tanto admiro! Confiram relatos e dicas emocionantes de uma família linda, que mora em Caxias do Sul – RS! Mi, muito obrigada por compartilhar sua história conosco!

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Idade e Profissão: 33 anos, professora de inglês, jornalista e blogueira (http://ostrigemeosdamichele.com.br/).

Mãe da Mônica (4 anos), Marcelo, Murilo e Matheus (2 anos e 3 meses).

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Como foi descobrir que esperava trigêmeos? Foi assustador! Hehehehe. Nós estávamos tentando engravidar do segundo filho. Depois de dois meses já conseguimos. No primeiro ultrassom a médica viu que havia dois sacos gestacionais. Quando ela nos contou, a primeira coisa que eu disse foi: “Mas, dra., eu já tenho uma filha”! Na minha cabeça eu queria dois então, a matemática não estava certa… Hahaha. Mas aí ela nos orientou a repetir o exame em 10 dias porque não tinha dado para ouvir os corações. Fiquei 10 dias em choque, tentando me conformar. Nesse segundo exame, outro médico nos atendeu e contamos à ele que queríamos confirmar se eram gêmeos. Ele nos disse: “Olha, tem dois sacos gestacionais. Só que em um deles há dois embriões. São trigêmeos!” Aí eu só ri. De nervosa! Já tinha saído fora do meu planejamento mesmo…

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Como foi a escolha dos nomes? Se fosse menino, já tinhamos combinado que se chamaria Marcelo. Quando soubemos que eram 3, resolvemos dar esse nome ao que estava sozinho no saco gestacional e seria o gêmeo fraterno dos outros dois. Aí tentamos achar outros dois nomes bonitos que combinassem e também começassem com M. Eu e meu marido temos nomes iniciados em M e queríamos manter o M nos outros filhos. Escolhemos Murilo e passamos um tempão pensamos em nomes até decidirmos por Matheus (Max, Mathias, Miguel, por exemplo).

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Quem foi a primeira pessoa para quem você contou que estava grávida de 3 e como foi? Já tínhamos contado aos parentes próximos que eu esperava gêmeos e todos haviam ficado felizes. Quando descobrimos que seriam três, a primeira pessoa que ligamos foi meu sogro, porque ele sempre quis muitos netos e os meus cunhados têm apenas um filho cada um. Quando contei que seriam três, ele me disse: “eu fui muito abençoado!”. Ele foi a pessoa que melhor recebeu a notícia (acho que é sem juízo mesmo, risos). Meus pais, minha sogra e os demais parentes ficaram em choque. Minha mãe me disse: “ai, filha, agora me assustei”!

Quais as diferenças de uma gestação de trigêmeos e feto único? Algum cuidado específico? Muitas diferenças. Eu senti muito enjoo, coisa que não tinha sentido na primeira gravidez, que foi de feto único. Por serem trigêmeos, fazíamos ecografia com médico especialista em medicina fetal de 15 em 15 dias. A partir das 25 semanas eu fui colocada em repouso absoluto, para segurar melhor os bebês e não correr risco de parto (muito) prematuro. Tive muitos sintomas que costumam aparecer mais no final logo no início, como a falta de ar. Tive um problema nos rins quando estava de 32 semanas porque os bebês estavam grandes e comprimiam minha bexiga. Tive que tomar injeção para amadurecer os pulmões dos bebês e remédio para inibir as contrações. Isso tudo sem falar no lado emocional. Passei a gestação toda com medo que eles nascessem antes do previsto e fossem prematuros extremos.

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Onde você fez o enxoval? O que foi indispensável e o que se arrependeu de ter comprado?  Meu enxoval foi feito com muitas coisas que sobraram da Mônica e muitas doações de amigos e vizinhos. Comprei poucos itens. Como eu já era experiente com um bebê, não fiz nenhuma extravagância. Acho sapatinhos desnecessários quando não caminham, meias já servem. Para mim, indispensável foi a bomba para tirar leite materno. Eu tirava para poder dar aos 3 ao mesmo tempo e não deixar ninguém chorando de fome. Eu tive que dar fórmula mesmo assim, mas foi bom porque me ajudou a estender o tempo de amamentação.

Qual o modelo de carrinho que você comprou? Ficou Satisfeita? Comprei um carrinho de gêmeos da Hércules para passeio e ganhei um usado da Infanti. Gostei dos dois. Mas devo salientar que eu não saía muito com eles, que eles não dormiam no carrinho e sim em seus bercinhos e que minha experiência nesse quesito foi muito diferente do que ocorreu com a Mônica.

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Como foi o período pós-parto e quais os cuidados que você teve durante a amamentação (tem como amamentar 3)? O pós-parto foi difícil porque tive alta do hospital depois de 3 dias e não pude trazer meus filhos para casa. Eles vieram depois de 15 dias e isso destrói o emocional, né? Eu consegui amamentar os meninos por 6 meses. Nos primeiros meses eu dava leite materno de dia e complementava na madrugada com fórmula. Depois, a demanda foi aumentando e eu não tinha leite suficiente. Ainda assim, dava uma ou duas mamadas para cada um de leite materno por dia. Mas eu me esgotava. O stress fez o leite ir diminuindo e resolvi parar de vez quando estava conseguindo dar somente uma vez ao dia para cada um.

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Como foi a montagem do quarto? Você teve alguma ajuda? O quarto foi desenhado por minha irmã, que é arquiteta, e executado por um marceneiro. Foi difícil, mas conseguiram fazer caber tudo que precisava em um único quartinho.

O que você achou mais fácil e mais difícil do que imaginava? Eu pensava que não conseguiria fazer mais nada, que nunca ia conseguir dormir de novo e nem sair de casa. No início foi bem difícil mesmo, mas depois a gente foi se adaptando e as coisas foram funcionando. Tem dias que eles me deixam louca, mas no geral eles são crianças fáceis de cuidar, desde que estejam entretidos.

Como você é no papel de mãe? Age como imaginava? Muita coisa mudou? Eu exercito muito a paciência e a auto-crítica. Sou muito exigente comigo mesma, tento me policiar para não ser tanto assim. Mas, no geral, sou uma pessoa bastante otimista, tento ver o lado bom de tudo que passamos. Acho que tenho me saído bem como mãe de quatro filhos, mas estou sempre preocupada em dar o meu melhor. Às vezes aproveito a babá e dou umas escapadas de casa, mas aí me sinto culpada e volto. Conhece culpa de mãe? Imagina potencializado com 4 crianças!

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Como é o seu marido como pai? Meu marido é muito presente. É ele quem dá os banhos, por exemplo, desde o tempo em que tínhamos somente a Mônica. Ele troca fraldas, faz a parte dele muito bem. Ele fica mais com a parte da diversão. Enquanto eu cozinho, faço dormir e etc., é ele que brinca, corre, se atira no chão com eles.

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Você conseguiu voltar a trabalhar após o nascimento dos meninos? Sim, por incentivo de minha mãe, que ficou cuidando da Mônica e dos meninos. Eles tinham apenas 5 meses quando voltei a trabalhar meio turno de segunda a quinta. Depois aumentei a carga horária conforme eles foram crescendo e a Mônica entrou para a escola. Minha mãe acha que a gente tem que ter uma profissão ou qualquer outra atividade para dar uma relaxada na cabeça.

Você costuma buscar dicas e informações na internet? Do que sente falta? Todas as minhas dúvidas eu pesquiso no Google. Quando não encontro uma resposta eficiente, falo com profissionais da área envolvida e escrevo um post no meu próprio blog sobre o assunto.

Descreva um dia de vocês (a rotina): Eles acordam sempre às 7h, tomam leite ou suco e comem uma fruta ou pão com queijo. Brincam em casa ou no pátio do prédio até às 11h, quando almoçam (feijão com arroz e carne, massa com molho, polenta, etc., mas sempre ganham brócolis ou cenoura antes). Dormem das 12h às 14h, quando fazem outro lanche. Brigam, quero dizer, brincam mais um pouco e às 17h fazem outro lanche. Às 18h30 eles jantam o mesmo tipo de comida do almoço. Às 20h iniciam a rotina do sono: banho, escovamos os dentes e eles fazem atividades sem agitação até às 21h, quando os colocamos deitados nas caminhas para dormir. Fico com eles no quarto até pegarem no sono. Dormem até às 7h.

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A Mônica acorda às 9h, toma mamadeira e participa das brincadeiras deles ou pinta, desenha, assiste TV sozinha. Quando eles dormem às 12h, ela almoça conosco e damos atenção somente à ela. Normalmente ela sai com o papai pra ir para a escola e volta da aula só às 18h30. À noite, ela participa da janta e do ritual do sono com banho e atividades moderadas e também dorme às 21h.

O que fazem para se divertir? Quais os programas que vocês mais gostam de fazer? E para sair de casa deve dar um trabalhão, né? Sair de casa é sim um trabalhão, por isso damos preferência à segurança que temos indo para o pátio do condomínio. Aqui, os vizinhos ajudam a cuidar, eles passeiam sem perigo e estão em casa. Quando saímos, costumamos ir somente às casas dos nossos amigos ou parentes. Não costumo levá-los a restaurantes ou shopping.

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Como você gosta de vestir seus filhos? Quais suas lojas preferidas? A maioria das roupas são doadas e as outras são presente. Nunca comprei roupa para os meninos. Somente calçados. Mas comprei o que eu achei confortável, não procurei marcas.

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Comemorações. Já fizeram? Algum Tema? Aniversários sim. Os da Mônica foram Turma da Mônica Baby (1 aninho), My Little Pony (3 anos) e Tinker Bell (4 anos). Dos meninos, fizemos somente o aniversário de 1 ano e o tema foi Bob Esponja.

Que valores você considera essenciais e quer passar aos seus filhos? Eu sou muito otimista e sonhadora e é assim que quero criá-los. Prezo pela sinceridade e honestidade. E muito amor e carinho. Eu sou a mãe mais beijoqueira que conheço!

Seus filhos já estão na escolinha? Não, eles ficam com a babá em casa. E comigo nas manhãs da terça e quinta, que é a folga dela.

Você vive o dilema da maioria das mulheres modernas: É mãe, esposa, dona de casa e profissional. Como consegue conciliar tudo isso? Não levo todos os créditos sozinha. Tenho um marido muito presente, atencioso e organizado. Tenho uma babá maravilhosa que me ajuda com tudo. Ela cozinha muito melhor do que eu (risos). O segredo da nossa casa é a rotina. As refeições e sonecas deles são todas organizadas em horários, assim conseguimos conciliar tudo e ter um tempo para fazer as nossas coisas. Conseguimos conversar, assistir um filme e até tomar uma cerveja de vez quando depois do horário que eles dormem. Eles vão para a cama e das 21h às 23h30, mais ou menos, temos esse tempo para nós!

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Já dá para perceber alguma diferença na personalidade dos meninos? Tem como criar todos da mesma maneira? Criamos todos da mesma maneira e sim, dá para ver muitas diferenças. O Marcelo é mais independente e explorador. Também é o simpático, que cumprimenta as pessoas, dá beijo, abraço. O Murilo é mais arteiro, brincalhão e aprontão, mas também é o mais teimoso. Ele é fisicamente mais forte, levanta coisas pesadas com uma facilidade que me deixa impressionada!  O Matheus é o mais dengoso, manhoso, mas também é o que fica mais centrado em uma atividade, é mais concentrado.

E a Mônica, como lidou com a chegada dos irmãos? Nós trabalhamos muito a questão da minha gravidez com ela e demos um presente que ela queria muito quando eles nasceram, dizendo que eles tinham trazido para ela. Ela me ajuda muito com eles. Pega na mão, orienta, uma graça. Mas tem ciúmes às vezes. Ela ainda é uma criança pequena, também.

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Revele alguma coisa que ninguém conta sobre a maternidade e dê um conselho às futuras mamães? Uma coisa que a gente não tem noção antes de nos tornarmos mães é que é, realmente, muito cansativo. A gente esquece um pouco da gente mesma, não consegue mais fazer as coisas que nos davam prazer e tem aquela responsabilidade, que será eterna. Às vezes é assustador pensar em tudo isso. Mas também é incrível. Para mim, a maternidade preencheu um espaço vazio em minha vida. Hoje, me sinto completa, me sinto amada, me sinto importante para quatro criaturinhas que serão meus amores eternos, mesmo quando não estiverem mais tão dependentes de mim. Meu conselho às futuras mamães: não perca seu tempo olhando para o trabalho que seu filho dá. Pelo contrário, aproveite cada fase porque, bem como dizem, passa muito rápido. E passa mesmo.

 

 

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