Entrevista: Mãe Tipo Eu, Carla Dieguez

10 março, 2015
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Olá! Hoje é dia de entrevista!!! A nossa Mãe Tipo Eu de hoje é a Carla, minha vizinha. Ela é mãe de 2 pequenos e tem uma linda história de Parto Natural Humanizado, mesmo após uma Cesárea. Outro relato bacana da Carla é como ela largou a carreira de jornalismo e hoje é DOULA. Vamos conferir?

Nome, idade e Profissão: Carla Dieguez, 39 anos, jornalista e doula

Mãe da Luisa (4 anos) e do Bernardo (1,5 Anos).

Família Reunida

Família Reunida

Como foi a escolha dos nomes: Desde pequena queria ter uma filha chamada Luisa. Quando descobri que esperava uma menina, meu marido escolheu a grafia e ficou Luisa com s (diferentemente da Luíza do Tom Jobim, minha inspiração). Já com o Bernardo foi diferente. Não tinha ideia de que nome colocar… Fizemos uma lista com dez nomes de que eu e meu marido gostávamos, fomos eliminando e chegamos em Bernardo, que é lindo e forte.

Quem foi a primeira pessoa para que você contou que estava grávida? Fez alguma surpresa? Fiz o teste de farmácia, saí do banheiro com ele na mão e mostrei para o meu marido com um sorriso. Nos abraçamos, rimos e celebramos as gestações, que foram planejadas e muito desejadas.

Que cuidados que você teve durante a gravidez? Nas duas gestações pratiquei yôga, que foi importante para a consciência corporal, flexibilidade e respiração. E também me ajudou a não ter dor nas costas, mesmo com o peso da barriga – que na segunda gravidez ficou bem grande, pois passou de 41 semanas. Usei diariamente um creme para evitar estrias e fiz drenagem linfática. Mas acredito que o maior cuidado que tive comigo, quando engravidei do segundo filho, foi me informar e me preparar para ter um parto natural pós-cesárea. Li muito sobre protagonismo feminino e humanização do parto, comprei livros, entrei em grupos na internet e participei de encontros de gestantes.

Que produto que você utilizou na gravidez e recomenda? Utilizei um produto chamado Epi-no para preparar meu períneo para o parto normal. Com o Epi-no, o risco de sofrer uma laceração no períneo é mínimo e, além disso, ele proporciona a consciência desta parte do corpo – um músculo que se estende durante a passagem do bebê (momento conhecido como “círculo de fogo”). Recomendo muito!

Entrevista_Mae_tipo_eu_Epi-no

Onde você fez o enxoval? Como se preparou? Que item você considerou indispensável e qual se arrependeu de ter comprado? Alguma dica importante? Na gravidez da Luisa, fui para Miami comprar o enxoval. Achei que valeu a pena, mas, como era a primeira filha, acabei comprando demais e me arrependi de alguns itens que não usei, como vestidinhos ou roupas com muitos babados para recém-nascido. O que acabamos usando muito foram bodies, calças, macacões… Economizamos na compra da babá eletrônica e trouxemos um modelo ruim, que chiava muito. Valeria a pena ter investido em um produto mais caro neste caso. Já o enxoval do Bernardo foi sendo feito aos poucos, com muitas doações de roupas usadas de amigas que já tinham filhos.

Qual o modelo de carrinho que você comprou? Está Satisfeita? Confesso que isso foi uma saga… Tive um modelo usado da Gracco, doado pela minha cunhada. Super confortável mas enorme! Também comprei nos Estados Unidos um carrinho tipo guarda-chuva, da Chicco, bem barato, mas que não reclinava. Era para usar quando a Luisa estivesse um pouco mais velha, mas depois percebi que é importante ter um carrinho que deita, mesmo para uma criança de dois ou três anos. O Bernardo teve um da Infanti dado pela madrinha. Também era grande, difícil de fechar. Finalmente me achei com um carrinho guarda-chuva da Chicco, o Lite Way, que é leve e reclina bastante.

Carrinho Chicco Lite Way

Carrinho Chicco Lite Way

Quais os cuidados que você teve durante o período de amamentação? Foi um período bem delicado. Como fiz mamoplastia redutora quando bem jovem, tive pouca produção de leite. Especialistas em amamentação dizem que 70% das mulheres submetidas à redução de mamas precisam complementar a amamentação; outras 30% conseguem amamentar exclusivamente. Amamentar sempre foi um desejo e era muito importante para mim, por saber de todos os benefícios para o bebê e para o fortalecimento do vínculo com a mãe. No entanto, precisei entrar com complemento de fórmula desde muito cedo. Com a Luisa usava mamadeira após dar o seio. Já com o Bernardo usei o translactador (que é uma garrafinha com uma cânula bem fina que entra na boquinha do bebê enquanto ele suga o seio), mas todo o processo era bem demorado e acabei optando também pela mamadeira. O problema é que o bebê acaba preferindo a mamadeira por ser mais fácil de sugar e aí para de querer mamar no peito. Também usei a bomba elétrica nos dois puerpérios para ajudar na produção de leite. Infelizmente, não consegui amamentar do jeito que gostaria, mas acho que cheguei ao meu limite do que foi possível fazer. E o limite de cada uma, claro, é super individual.

Como foi o período pós- parto? O que achou mais complicado? O puerpério é uma fase difícil, de conhecimento e adaptação. Eu tive dois bebês tranquilos, mas diferentes. Luisa chorava todos os dias às 18h. Eu dizia que era “blues” do fim da tarde…sabia que não era cólica, pois ela não se contorcia, era um chorinho constante, que passava quando eu dava bastante colo. Bernardo não tinha isso, não chorava muito, mas era bastante esfomeado desde que nasceu, mamava tanto! Sempre achei muito complicado saber se eu estava agindo certo. Mãe tem isso de se questionar o tempo todo. Com o segundo filho, foi difícil conciliar o tempo dedicado ao recém-nascido e à filha mais velha, e mais o tempo para o meu descanso. Aliás, se há algo muito complicado no pós-parto é a falta de sono. Mas isso melhora com o tempo, mais cedo ou mais tarde!

Carla e o marido, durante a preparação do parto

Carla e o marido, durante a preparação do parto

Como foi a montagem do quarto? Você teve alguma ajuda? Como é a decoração? Usou algum tema? Decidi fazer quartos simples, escolhendo as cores que me agradavam. O da Luisa foi vermelho bordô, bege e branco e o do Bernardo foi verde musgo, bege e branco. Optei pela praticidade e facilidade de limpeza. Até coloquei bichos de pelúcia para enfeitar, mas poucos, porque acumulam muita poeira.

O que você achou mais fácil e mais difícil do que imaginava? Muitas coisas foram diferentes do que eu imaginava… A falta de sono de que todas as mães falam foi bem impactante para mim, principalmente no segundo filho. O ciúme intenso da minha filha em relação ao irmão me fez inclusive procurar ajuda profissional, com uma psicóloga. A dificuldade na amamentação do segundo filho, que nasceu de parto natural e mamou ainda na primeira hora de vida, foi bem maior do que eu imaginava. Tive ajuda profissional e isso foi super importante para a aceitação dos meus limites. O que foi mais fácil: dar colo! Usei o sling e dei muito, muito colo!

Como você é no papel de mãe? Age como imaginava? Muita coisa mudou? Sou muito amorosa e gosto de ficar bem juntinho das minhas crias. Sou bem rígida com a rotina, porque acredito que uma rotina estruturada ajuda a criança a viver melhor. Sou adepta da criação com apego e coloco limites sem violência. Muitas vezes, por cansaço, perco a paciência… Acho que paciência é uma das principais virtudes na criação dos filhos, pois as crianças têm o tempo delas – que, quase sempre, é bem diferente do nosso tempo. Posso dizer que a maternidade mudou minha vida, me fez repensar valores, me tornou uma pessoa melhor.

Como é o seu marido como pai? Ele ajuda nos cuidados com o bebê? Meu marido é um pai incrível, carinhoso e participativo. Durante a semana eu sou responsável pelos cuidados com as crianças, pois ele fica pouco tempo com elas. Aos finais de semana ele divide comigo as tarefas. Banho, por exemplo, é sempre com o pai.

Quanto tempo você ficou de licença maternidade e como foi a volta ao trabalho? Quando tive a Luisa, trabalhava em uma grande empresa como gerente de comunicação. Tive quatro meses de licença mais um de férias. A volta ao trabalho foi bem difícil. No início, chorei muito por estar o dia todo longe da minha pequena, que ficava em casa com a babá. Depois fui me acostumando à rotina… Eu gostava do meu trabalho. Um ano depois de voltar de licença, minha filha teve uma doença grave e eu pedi demissão para cuidar dela. Quando engravidei do Bernardo, eu já não estava mais trabalhando fora. Minha opção foi ficar em casa com os dois por algum tempo. Agora que ele completou um ano e meio, abracei uma nova profissão e me tornei doula – uma profissional que dá suporte físico e emocional a mulheres antes, durante e depois do parto, acompanhando a gestação, o trabalho de parto e o pós-parto.

Sentiu que deveria ter aproveitado mais algum momento? Algum momento marcante? Viver plenamente a maternidade sempre foi um desejo meu. Poder estar com meus filhos no dia a dia, acompanhando as fases do desenvolvimento deles, é muito recompensador. Muitos momentos marcaram esses últimos quatro anos: os primeiros passos, meio cambaleantes, e o processo de aquisição da linguagem – acho incrível ver uma criança começar a falar e conseguir se expressar por meio da linguagem oral. Mas o momento mais marcante foi, certamente, o nascimento do Bernardo em um parto humanizado, após a frustração com a cesárea da Luisa e a forma como ela foi recebida neste nosso mundo, longe de mim. Poder parir meu filho de maneira respeitosa, de cócoras, como eu queria, na penumbra e no silêncio, e tê-lo no colo imediatamente após nascer foi a mais intensa e transformadora experiência da minha vida.

Você costuma buscar dicas e informações na internet? Do que sente falta? Sou uma consumidora voraz de informações sobre gestação, parto, primeira infância. Uso muito a internet para ter acesso a artigos, grupos de discussão etc. Acompanho no Facebook algumas páginas como “O Renascimento do Parto” e “Cesárea? Não, obrigada!”. Leio muito o Vila Mamífera, união de blogs de maternidade ativa, e acompanho também blogs sobre alimentação infantil. Acho que há muita coisa boa e ruim na internet, por isso é importante conhecer a fonte e saber filtrar as informações.

Descreva um dia de vocês: O despertar é por volta das 7h30. Após o café da manhã, composto de leite e uma fruta, brincamos um pouco dentro de casa e descemos para o playground do condomínio. Quando está quente, vamos para a piscina do prédio. Meu filho mais novo ainda dorme uma soneca de manhã, e neste momento eu e a mais velha brincamos com os jogos preferidos dela. Quando tenho algum compromisso, ela vê um desenho na televisão. Almoçamos às 12h e em seguida os levo para a escola, onde ficam até as 17h. Em casa, jantamos, eles brincam um pouco, dou banho nos dois e coloco para dormir. Recentemente juntei os filhos no mesmo quarto, então o ritual do sono é o mesmo para os dois: eles tomam leite, escovam os dentes, leio um ou dois livrinhos, ponho cada um na sua cama, apago a luz, canto uma música e dou boa noite. Fico no quarto até que adormeçam. A hora de dormir é um momento muito especial em nossa casa.

O que fazem para se divertir? Como é o seu tempo com eles? Quais os programas que vocês mais gostam de fazer? Adoro viajar com minha família e amo ver meus pequenos se divertindo na praia ou na piscina. São programas que eles amam fazer também. Vou bastante a parques perto de casa, como o Burle Marx, que é tranquilo, tem bastante verde e brinquedos para as crianças. Também vamos a muitas festinhas infantis de amiguinhos de escola da Luisa. Durante a semana, brincamos no playground do condomínio ou em casa. Luisa gosta de jogos como memória, quebra-cabeça, bingo. É muito gostoso jogar com ela. O pequeno adora brinquedos de encaixar e gosto de estimular suas habilidades nessa área.

Como você gosta de vestir seu filho? Qual o estilo? Quais lojas gostas? A menina usa vestidinhos ou short e camiseta. O menino ainda usa bodies e também bermuda e camiseta. Temos um estilo simples, pois acredito que o conforto é mais importante na idade deles. Não tenho lojas de preferência, mas sempre que algum familiar ou amigo próximo viaja para os Estados Unidos acabo encomendando algumas roupinhas da Carter’s.

Comemorações. Já fizeram? Pretendem fazer? Algum Tema? Acho super importante comemorar o aniversário. É um dia especial para a criança, não somente pelos presentes que recebe, mas por estar com os amigos e a família (a minha, por exemplo, que é do Rio de Janeiro, sempre vem para as festas). Para a Luisa, já fiz tema de Joaninha, Cocoricó, Princesas e Minnie. Os dois últimos foi ela quem escolheu. Celebramos o primeiro ano do Bernardo em um piquenique, com o tema de ursinho Pooh.

Como imagina que serão seus filhos e que valores que você considera essenciais e quer passar a eles? Não penso muito para frente… Quero que sejam felizes hoje, que brinquem bastante, pois brincar é essencial para a vida deles. Procuro ensinar o respeito à natureza, o não desperdício, a gentileza com o próximo. Tento estimular a autonomia (no comer, vestir, guardar os brinquedos) e a curiosidade deles em relação ao mundo.

Seus filhos já estão na escolinha? Como foi a escolha da escola? Os dois estão em uma escola construtivista, somente de educação infantil. Luisa entrou com dois anos e Bernardo, com um ano e meio. A escola que escolhi preenche alguns requisitos que são importantes para mim: proximidade de casa, bastante espaço para brincar (com areia, árvores, brinquedos de madeira), um ambiente limpo e organizado, e um projeto pedagógico que estimule a curiosidade e a criatividade.

Você vive o dilema da maioria das mulheres modernas: é mãe, esposa, dona de casa e profissional. Como consegue conciliar tudo isso? A palavra mágica é prioridade. No meu momento de vida atual, com filhos pequenos, minha prioridade ainda é cuidar deles. Sempre que possível, reservo um tempo para estar só com meu marido, sem as crianças. Tenho uma ajudante em casa, mas não tenho babá, então tudo das crianças é comigo, além de gerenciar compras, cardápio, arrumação etc… Decidi não voltar ao mercado corporativo para ter mais tempo com meus filhos e a nova profissão que escolhi, de doula, permite isso. É claro que os horários são imprevisíveis, pois trabalhos de parto geralmente começam à noite e duram muitas horas. Mas, por outro lado, sobra muito tempo livre para almoçar junto, levar e buscar na escola, brincar…

Pretende ter mais filhos? Às vezes penso em ter o terceiro, mas por enquanto não há planos. Acho que vamos ficar com nosso casalzinho mesmo!

Revele alguma coisa que ninguém conta sobre a maternidade. Parir um filho é uma experiência intensa e transformadora, um verdadeiro ritual de passagem. É como correr uma maratona e receber uma medalha no final – só que muito melhor, pois o resultado do trabalho de parto é um bebê, o seu bebê. Se ouve muito dizer que a dor do parto é insuportável, mas não é. Nosso corpo não seria preparado por séculos para parir se fosse insuportável. E as mulheres que mais falam sobre a dor do parto são aquelas que não passaram por isso. As que tiveram partos normais e foram respeitadas têm relatos lindos sobre como as contrações eram bem-vindas, pois estavam trazendo seu maior presente.

Com a sua experiência, que conselho você dá as futuras mamães? Sejam protagonistas da sua história. Acreditem no poder do seu corpo, pois ele foi feito para gestar, parir e nutrir. Informem-se. Nenhuma mulher é menos mãe por ter feito cesárea ou por não ter amamentado seu filho. Medir amor é uma bobagem imensa e só serve para iniciar discussões sem sentido. Mas se todas as mulheres soubessem o que é sentir seu filho sair do seu corpo, de forma natural, por um esforço conjunto da mãe e do bebê… É uma experiência tão rica, tão intensa, tão transformadora! É um instante que não volta mais. Ou você vive isso – com tudo o que vem junto, com as dores, os gritos, o suor e o poder de ser dona das suas vontades – ou você deita na mesa cirúrgica, é anestesiada e seu bebê é extraído de sua barriga. E você vai amar esse bebê com todo o seu coração. Mas o instante mágico de receber seu filho no colo imediatamente após nascer, ter as mãos livres e o corpo inteiro para acalentar, abraçar, beijar, sentir o cheiro, o toque, a pele quentinha de alguém que acabou de chegar neste mundo – esse instante não volta mais. Esse momento deve ser respeitado, pois ele é seu e do seu bebê – não é do obstetra, nem do pediatra, nem da enfermeira. Por isso, lute por ele!

Carla, fiquei arrepiada ao postar a sua entrevista. Muito, muito obrigada pelas palavras inspiradoras e parabéns pela sua linda história e pela mãe e mulher que és! Obrigada por ter compartilhado sua experiência conosco!!!

 

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