Seu filho não quer comer? Dicas da nutricionista e mãe Mariana Gomes para as crianças que não querem comer!

Meu filho não quer comer

6 agosto, 2019
por:

Eu sei muito bem como é ter um filho que não quer comer, em alguns momentos é
desesperador, estressante e desgastante. As refeições se transformam em um problema e temos que transformar este momento em um circo, teatro, onde vale tudo por uma garfada do filhote.

O Lucca, meu filho de 2 anos e 2 meses, teve muita dificuldade de pega na amamentação, aos 4 meses apareceu o refluxo e não conseguia mamar, depois começou a ter dificuldade de ganho de peso e estacionou na curva. Achei que com a introdução alimentar isso resolveria, mas piorou. Ele vomitava, não queria comer e continuava não ganhando peso. Mesmo com o uso de medicamentos, o refluxo não melhorava. Em algumas refeições, depois de muito esforço, conseguia fazer ele comer um pouco, e no final, ele vomitava tudo. Isso acontecia diariamente.

Depois de um tempo, optei por tratamento homeopático e descobri que o refluxo estava relacionado ao ovo. Cortei totalmente o ovo da minha alimentação e da dele e ele melhorou muito. Começou a acompanhar a curva, mas sempre no limite. Fiz uma introdução alimentar perfeita: frutas, legumes, grãos, carnes, cereais, deixava ele ter contato com os alimentos, pegar, cheirar, sentir, olhar.

As dificuldades continuaram, tinham dias muitos bons e outros desesperadores. Como
ele sempre foi magro (normal) e nossos familiares e amigos pensam que para ser saudável a criança precisa estar gordinha, havia uma pressão social muito grande de que ele comesse muito e ganhasse peso.

Depois que ele entrou na escolinha, eu “precisava” alimentá-lo melhor e como eu já
estava grávida do segundo filho e muito cansada, comecei a ligar a televisão em muitos
momentos. Com a televisão, ele comia praticamente tudo, mas demorava muito. Como diz o meu marido, é um suporte falso, por que a criança come sem consciência, come pela brincadeira ou por que está concentrada vendo a televisão.

A negação para a alimentação é uma forma das crianças chamarem a nossa atenção, pois, eles têm muito mais atenção quando dizem que não querem do que quando comem naturalmente.

Alguns dias, quando o meus pais estavam aqui em casa, tinham 4 pessoas distraindo-o para comer ao mesmo tempo. Chega! Está tudo errado! Devemos mudar o nosso comportamento, para que ele mude o dele.

Conversamos muito com a nossa pediatra sobre isso e mudamos completamente a rotina alimentar aqui em casa. Vou dividir com vocês as principais dicas para a criança comer melhor:

1. Tento fazer sempre as refeições junto com ele. Sentamos juntos na mesa e comemos juntos. Nós somos o maior e o melhor exemplo para os nossos filhos.
2. Não o deixe “beliscar” durante o dia, mesmo que ele peça. Ele deve seguir os horários das refeições e fazê-las sentado e com foco. Não dê comida para ele brincando ou andando pela casa (já fiz muito isso). Coloque sempre a criança na na cadeira.
3. Às vezes, meu filho pede para comer no balcão ou nas cadeiras da mesa, tudo bem.
4. Toda a semana faço receitas com ele, peço para ele me ajudar a lavar as frutas (coloco as frutas em uma vasilha com água), colocar os ingredientes em um recipiente, mostro o que eu estou cozinhando no fogão, dou grãos de arroz e feijão em um potinho para ele brincar. Isso ajuda muito as crianças seletivas para comer. Faça isso com os alimentos que eles rejeitam.
5. Sempre dou a opção de escolha para ele, ofereço dois alimentos e peço para escolher o que ele quer comer. Isso deixa a criança segura e motivada para comer.
6. Tem dias que ele quer comer sozinho e outros dias preciso ajudar. Sinta sempre seu
filho e dê prioridade para ele comer sozinho. Se ele estiver comendo sozinho, não
perturbe! Só faça intervenções e interaja com ele SE necessário. No final,
reconheça e elogie quando ele estiver comendo sozinho e comendo tudo.
7. A autonomia na hora da alimentação é fundamental, mesmo que a criança faça muita sujeira, entenda que ela está aprendendo a segurar a colher, que ela ainda não tem motricidade suficiente para não deixar cair. Não brigue com ela por isso. Deixo-o comer com as mãos, da forma como ele quer e como ele se sente mais à vontade. A criança precisa participar da sua própria alimentação.
8. Se ele negar a comida, eu falo: “Se você não quer comer, você vai sair da sua
cadeirinha” e se ele continuar negando, eu retiro o prato e depois tiro ele da cadeirinha
com calma e naturalidade. Aviso ele, que a mamãe vai continuar comendo. Esta é a
mudança mais difícil, mas ela é fundamental para que o seu filho mude de
comportamento. Ele precisa começar a perceber que o “não” dele não tem mais efeito e
que é melhor ele comer.
9. Se mesmo depois de você tirá-lo da cadeirinha ele insistir que não quer comer, deixe-o. Em algum momento ele vai sentir fome e vai te pedir comida. Depois de um tempo você pode perguntar novamente se ele quer comer. Meu filho foi sem comer dois dias para a escolinha, fiquei muito preocupada, mas depois isso nunca mais aconteceu. Ele aprendeu.
10. Se ele não quiser almoçar, guarde a comida do almoço e sirva quando ele estiver com fome. Não pule o almoço, pois é a comida mais nutritiva do dia. Se ele comer pouquinho no almoço, passe direto para o lanche/snack da tarde.
11. Se ele comeu muito bem no café da manhã ou fez algum lanche da manhã, pode ser que ele coma pouco no almoço e tudo bem. Ou se ele almoçou muito bem, pode ser que ele não faça o lanche da tarde. Não tem problema nenhum.
12. Se ele pedir snacks (biscoitos) na hora das refeições (almoço e janta), não ceda. Seu filho precisa comer com qualidade, não pense que pelo menos ele está comendo alguma coisa. Ele precisa se nutrir. E se você ceder, ele vai sempre repetir o mesmo
comportamento, simplesmente por que funciona.
13. Não deixe seu filho brincar com os alimentos para estragá-los ou desperdiçá-los. Seja firme. “Filho, isso estraga o alimento, comida não é para brincar, é para comer”. E
também não o deixe jogar os alimentos no chão propositalmente. “Filho, não jogue os
alimentos no chão, é desperdício”. Se mesmo assim ele continuar jogando ou
estragando o alimento, você retira os alimentos da mesa e avisa que que a refeição
acabou por que ele está fazendo isso.
14. Converse com o seu filho durante as refeições, conte histórias sobre os alimentos que ele está comendo, pergunte como foi na escola.

15. Se ele só quiser comer arroz, tente negociar, diga que ele precisa comer o feijão e
depois o arroz. Se ele comer mais arroz do que feijão, tudo bem. Eles sempre terão as
suas preferências.
16. Faça piquenique com ele nos lanches. Ofereça frutas, bolo, pipoca, suco natural. Pode ser dentro de casa mesmo, coloque uma toalha no meio da sala, na varanda, no jardim, no quartinho dele, na casinha, na cabaninha. Leve a alimentação para o mundo do seu filho.
17. Compre brinquedos relacionados à alimentação, tais como: panelinhas, comidinhas,
frutinhas. Aqui em casa, temos uma cozinha. Ele ama!
18. Seja consistente e firme. Não abra exceções até que o comportamento dele mude. As exceções são permitidas quando ele estiver doentinho.
19. Às vezes, ele não vai querer usar babador e tudo bem. Não compre esta briga com ele.

A nossa vida melhorou muito depois destas mudanças. Hoje, ele pede para comer, pede para subir na cadeirinha, come com muito mais autonomia e vontade. As refeições deixaram de ser um problema e se tornaram um prazer.

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