Doenças e Viroses do Outono e Inverno

12 maio, 2016
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Meu filho está com tosse que não melhora, e agora?

Nos meses de outono e inverno observamos maior circulação viral e as pessoas acabam se aglomerando em ambientes mais fechados e pouco arejados, o que permite com facilidade a disseminação das infecções, principalmente nas crianças abaixo dos 2 aninhos que ainda têm o sistema imunológico “imaturo”

Durante a gestação a mãe passa para o bebê toda a sua memória de defesa do corpo, a lembrança de como se defender das infecções. Essa defesa, ou melhor, esses anticorpos maternos, permanecem no corpo do bebe até quase completar um ano de idade. Permanecem em maior quantidade naqueles bebês que recebem o leite materno, tão importante para o fortalecimento desse sistema imunológico ainda EM DESENVOLVIMENTO, além de inúmeros outros benefícios. É sabido que antes dos 2 anos de idade as crianças têm um sistema imunológico ainda imaturo e em alguns casos, documentamos menor produção de  anticorpos chamados Imunoglobulinas da classe IgA, que são responsáveis pela defesa do nosso organismo contra vírus que acometem as vias aéreas e gastrointestinal. Por esse motivo, a maioria das infecções  VIRAIS  diagnosticadas nas crianças são os resfriados , sinusites, bronquiolites, pneumonias e diarréias.

Os vírus mais frequentemente associados às infecções respiratórias são o virus influenza, vírus da gripe (cujo H1N1 é um dos tipos), o vírus parainfluenza, o adenovirus, o vírus sincicial respiratório, o coronavirus e o rinovirus.

Na prática, quando o médico usa a denominação “virose” está se referindo a um tipo de infecção que “passa sozinha, que quem cura é o próprio corpo”. Para que ocorra esta cura é preciso que o corpo tenha a chamada “imunidade”. Quanto menor a criança e quanto maior for a sua exposição a diferentes vírus, mais difícil será a cura da infecção e maior será a chance de se infectar por outro vírus sequencialmente. Assim, nos pequenos, as infecções muitas vezes acontecem uma após a outra, dando a idéia de que algo de errado está acontecendo. Por esse motivo, é muito importante que as crianças que frequentam a escolinha permaneçam em casa durante o período da doença até a plena recuperação. Sabemos que um organismo doente está debilitado e muito mais suscetível a novas infecções. É importante também para pouparmos as outras crianças, bloqueando o ciclo de transmissão viral. Além disso, a criança também precisa de um certo “repouso” para que o organismo se recupere melhor. Do que o organismo precisa para se recuperar?

Descanso, soninho, alimentos leves ( o que a criança aceitar) é bem comum o apetite diminuir nesse período; fiquem tranquilos que assim que a criança se recuperar ela vai voltar a se alimentar e irá recuperar o peso que eventualmente chegou a perder. É muito importante que a criança aceite líquidos para que não desidrate. Manter o xixi sempre clarinho é uma forma de saber se a criança está hidratada.

O leite materno além de inúmeros outros benefícios, contem anticorpos maternos que contribuem para a imunidade do lactente. Crianças que não recebem leite materno estão mais susceptíveis a infecções. A exposição aos vírus que estão infectando outras pessoas como nas escolas e creches é um dos principais estímulos para a ocorrência das infecções virais. A entrada precoce na creche (muitas vezes aos quatro meses ao término da licença maternidade), associada ao desmame precoce (pelo mesmo motivo) criam um cenário perfeito para essa população de lactentes entrarem no clima da estação das viroses respiratórias.

Assim uma tosse de dois,ou três dias deve ser tratada com naturalidade se não estiver acompanhada de cansaço, que é o principal sinal de gravidade para as viroses respiratórias. A presença ou não de secreção (popularmente chamada de catarro) não denota gravidade ao quadro. A febre pode estar presente na maioria dos quadros “gripais” com duração média de até três dias. A fluidificação da secreção é mandatória para alivio facilitado dos sintomas e para evitar as temidas complicações das viroses. As crianças muitas vezes têm dificuldade na expectoração da secreção. Secreção espessa, sem que seja expectorada perpetua o sintoma de tosse. A ingestão de água e a limpeza nasal com soro fisiológico, seguido de aspiração nasal são o segredo do sucesso. Muito cuidado com a auto-medicação. Muitos remédios têm efeitos colaterais graves com o uso indiscriminado. A medicação deverá sempre ser receitada pelo médico que avaliou a criança.

As complicações mais temidas das viroses respiratórias são as infecções bacterianas secundárias. Quando se fala em bactéria a situação começa a ficar um pouco mais grave. As infecções virais aos consumirem a defesa do corpo para sua cura acabam deixando o corpo da criança debilitado para que as bactérias que muitas vezes colonizam (ou seja moram na superfície do corpo sem invadi-lo) causem as temidas infecções bacterianas.

E como reconhecer essa transição de infecção viral para infecção bacterina?

As infecções bacterianas normalmente comprometem o estado geral da criança. Impactam nas atividades do dia a dia, costumam estar acompanhadas de queda do estado geral, prostração, hipoatividade, não somente no momento da febre, mas como um mal-estar permanente. A febre a partir do quarto dia de persistência também deve ser observada com cuidado. A falta de ar, cansaço, respirando com dificuldade mais do que 50 vezes em um minuto para qualquer faixa etária é sinal de gravidade de extrema importância que deve motivar a procura imediata pelo serviço de saúde. Para as infecções bacterianas e somente para essas estão indicados os antibióticos que devem ser prescritos somente pelo médico após avaliação da criança.

O uso inadequado de antibióticos é frequente principalmente pela sua introdução precoce antes que se faça a diferenciação entre infecção viral e bacteriana comprometendo a flora endógena das crianças e trazendo sintomas associados desnecessários como alteração do hábito intestinal, irritação gástrica e inapetência. A fluidificação da secreção, o estimulo à expectoração, a alimentação saudável (principalmente o leite materno nos lactentes), a imunização adequada para a idade por meio das vacinas disponíveis e o isolamento da exposição excessiva (como escolas e creches) no momento da doença ainda são o melhor remédio.

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