Como falar de morte com crianças

13 julho, 2016
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11jun2014---mae-conversa-com-filho-os-pais-devem-se-esforcar-para-contar-a-verdade-as-criancas-pois-elas-percebem-quando-um-adulto-esta-omitindo-informacoes-1402518336281_615x300

A maioria dos pais costumam passar por uma situação delicada e difícil quando se tem que contar ou conversar com os filhos sobre a morte. Quando um parente, uma pessoa próxima falece ou esse assunto aparece, é comum e compreensível que gere ansiedade e questionamentos como: será que devo contar ao meu filho? O que devo dizer? Como devo dizer? Digo que a pessoa foi viajar? Virou estrelinha?  Essas são questões que surgem aos montes e geram angústia e ansiedade nos adultos.

Falar sobre a morte é sempre desafiante. Ainda mais numa cultura que tem esse assunto como tabu e, muitos pais não tiveram a oportunidade de falar com suas famílias sobre algo que sempre fará parte do nosso cotidiano.

Percebo no meu dia a dia como psicóloga que, falar sobre esse assunto é mais doloroso ao adulto que conta do que muitas vezes à criança que recebe a notícia pois, os pais costumam ficar imensamente receosos de causar sofrimento e trauma à criança.

Contar ou conversar com uma criança de até 5 anos sobre o tema, deve ter uma abordagem diferente do que com uma criança mais velha. Os menores ainda não conseguem compreender conceitos abstratos e costumam imaginar que terá uma solução para a morte, como por exemplo, a volta da pessoa. Mesmo que para essa criança seja difícil a compreensão da forma adulta da morte, é importante que se fale a verdade, numa linguagem adequada e mostrando que os seres vivos têm esse ciclo como natural: nascer, crescer, se reproduzir e morrer.

Dar exemplos concretos e mostrar o que acontece com plantas, animais e todos os seres, é uma boa estratégia para contar que alguém querido não estará mais presente. Utilizar histórias também é interessante para contar e auxiliar a criança na expressão dos seus sentimentos e dúvidas.

Nesse texto, não vou me referir a diversas crenças sobre o pós morte pois, cada família deve julgar o que acha essencial contar ao seu filho, mas sugiro não dar muitos detalhes, contribuir para que a criança tenha esse aprendizado tão importante e respeitar as reações, emoções e questões que ela possa vir a ter. Caso a criança questione algo que você acredita que não deve ser exposto ou não esteja confortável em responder, o melhor é dizer “não sei”. Dizer que não sabe algo, não trará prejuízos à criança, contanto que ela perceba que foi atendida e acolhida.

Já no caso de crianças mais velhas, geralmente, a partir dos 7 anos, a curiosidade e perguntas costumam ser mais frequentes pois, já começam a ter a noção de causa e efeito. Na prática, já entendem que o animal de estimação ou a pessoa que faleceu não estará mais presente como antes, quer saber o porquê da morte e pode demonstrar de forma diferente o que sente, através de desenhos, brincadeiras, contando sobre o assunto a alguém, escrevendo, ou mesmo mostrando alguma mudança no comportamento e humor.

É importante lembrar que as crianças desde cedo escutam sobre morte, como por exemplo, nos desenhos animados, vídeo game e na escola, mesmo não tendo a dimensão do seu significado. Conversar com seu filho sobre esse tema, contribuirá para que ele possa lidar melhor com situações difíceis que enfrentará no decorrer de sua vida. Não se preocupe caso seu filho perceba que para você também é um momento difícil e triste, e que você sente saudades. Negar a tristeza pode não ajudá-lo, pois é um sentimento comum a todos e que ele também poderá sentir.

Após falar de assuntos delicados como a morte com a criança, uma dica é proporcionar espaços de brincadeiras, dramatização, teatro com fantoches, atividades artísticas e de escrita (para os mais velhos) para expressão do que ficou confuso, incômodo ou em sua memória. Apenas para reforçar, é sempre melhor falar a verdade conforme a idade da criança, possibilitando o diálogo e respeitando seus sentimentos e dúvidas.

Dica de livros sobre o assunto:

  1. O Pato, a Morte e a Tulipa, Wolf Erlbruch (Cosac Naify): o protagonista é perseguido pela morte desde o nascimento.

Pato

  1. Meu Filho Pato e Outros Contos sobre Aquilo de Que Ninguém Quer Falar, vários autores (Cia. das Letrinhas): seis histórias com acontecimentos da vida da criança que ajudam a crescer, como a chegada de um irmão e a perda de alguém muito querido.

Meu filho

 

  1. Histórias da Cazumbinha, Meire Cazumbá e Marie Ange Bordas (Cia. das Letrinhas): a narrativa é baseada em fatos reais.

cazumbinha

  1. Menina Nina, Ziraldo (Melhoramentos): a morte da avó é o ponto de partida dos diálogos.

nina

  1. Não é Fácil, Pequeno Esquilo, Elisa Ramon (Callis): trata de sentimentos como saudade, após o esquilo do título ficar sem mãe.

facil

  1. A Velhinha Que Dava Nome às Coisas, Cynthia Rylant (Brinque Book): “dar nome” é um modo de nos aproximarmos das coisas, inclusive das mais doloridas.

velhinha

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